|
As primeiras
manifestações de TV paga no mundo surgiram nos Estados Unidos, nos
anos 40, em pequenas comunidades no interior do país com
dificuldades de recepção dos sinais da TV aberta. Nestas regiões,
devido ao sinal fraco, era praticamente impossível se vender
televisores. Com o intuito de aumentar suas vendas, algumas lojas de
aparelhos de televisão construíram antenas de alta sensibilidade em
cima de prédios altos ou no topo de montanhas. O sinal era, então,
retransmitido às televisões das lojas para que elas pudessem ser
exibidas aos compradores. Pouco a pouco, as pessoas aproveitavam o
cabo que passava por suas residências para conectar suas próprias
televisões e melhorar a recepção. Assim, nascia uma nova indústria
nos Estados Unidos. No princípio, este serviço era gratuito, mas em
algumas localidades, empresários passaram a construir antenas e a
cobrar mensalidade dos interessados pelo serviço. Em apenas 2 anos,
por volta de 14 mil domicílios já assinavam este serviço. Nasciam as
operadoras de TV a cabo.
Em 1962, já haviam cerca de 800 operadoras de
TV a cabo, com mais de 850 mil assinantes. Logo, as operadoras de TV a cabo, aproveitando
da capacidade de receber sinais de regiões milhares de quilômetros
distante, mudaram seu foco da retransmissão de sinais locais para o
provimento de programação alternativa. Até então, existiam somente
emissoras de TV aberta. A TV a cabo existia apenas para melhorar a
recepção do sinal destas emissoras em locais remotos ou distantes.
O crescimento do negócio de provimento de sinal
de emissoras de outras localidades levou as empresas de televisão
locais a encarar as operadoras como concorrência. Em resposta a
isso, o Federal Communications Commission (FCC) expandiu sua
jurisdição e passou a impor restrições às operadoras que as impedia
de "carregar" sinais de televisão. Esta ação acabou por retardar,
mesmo que temporariamente, o desenvolvimento do mercado de TV a cabo
americano.
Estas restrições duraram até o início da década
de 70, quando, a partir de 1972, teve início um processo de
flexibilização gradual na regulamentação, com a criação de novas
regras para a transmissão de sinais de televisão.
No mesmo ano, Charles Dolan e Gerald Levin da
Sterling Manhattan Cable, criaram a primeira rede de televisão paga,
a Home Box Office, ou HBO. Este empreendimento levou à criação de um
sistema de distribuição de sinais que usava a transmissão via
satélite de programação, aprovada na época. O uso dos satélites
mudou o negócio dramaticamente, pavimentando o caminho para um
crescimento explosivo no número de redes de programação. Houve um
crescimento significativo nos serviços prestados aos consumidores do
novo sistema, bem como no total de assinantes.
No final da década de 70, o número de
domicílios assinantes chegava próximo aos 15 milhões e, na década de
80, já eram cerca de 53 milhões. O número de programadoras havia
subido de 28, em 1980, para 74 em 1989.
À medida que o sistema de televisão por
assinatura evoluía, diminuíam as restrições impostas ao mercado, o
que possibilitou um aumento nos investimentos em cabeamento,
tecnologia e programação sem precedentes.
A desregulamentação da indústria teve um efeito
positivo muito forte no rápido crescimento observado no mercado.
Entre 1984 e 1992, a indústria investiu mais de 15 bilhões de
dólares em cabeamento e alguns bilhões no desenvolvimento de
programação, o maior investimento privado em um projeto de
construção desde a II Guerra Mundial.
Em fevereiro de 1996, o Telecommunications Act,
lei que sinalizou uma nova era no setor de telecomunicações nos
Estados Unidos, removeu barreiras de entrada, abriu o mercado e
permitiu às empresas de cabo utilizar sua infra estrutura para atuar
no mercado de telefonia e transmissão de dados.
Como conseqüência, em meados da década de 90, a
indústria passou a utilizar sua rede de cabos também para fornecer
acesso à internet e redes remotas em alta velocidade. Além disso,
muitas empresas do segmento começaram a desenvolver conteúdo local,
dando aos assinantes acesso a informações de sua própria comunidade.
Em 1996, a audiência da TV paga no horário
nobre já superava a soma das três principais emissoras de TV aberta
(ABC, CBS, NBC). Enquanto a audiência das emissoras de TV paga
cresceu mais de 20% entre 1995 e 1996, a audiência das emissoras de
TV aberta caiu quase que na mesma proporção.
Em 1997, somente com a venda de Pay Per View, a
empresas de TV por assinatura tiveram receita de mais de US$ 1,2
bilhão, mais do que o dobro do observado em 1994. O primeiro lugar
ficou com filmes (US$ 603 milhões), seguido por eventos (US$ 413
milhões) e entretenimento adulto (US$ 253 milhões).
Em 1999, pela primeira vez, os domicílios
passaram mais tempo assistindo à TV por assinatura do que as quatro
principais redes de TV aberta em conjunto.
No primeiro semestre de 1999, a TV por
assinatura faturou US$ 4 bilhões apenas com publicidade, um
crescimento de 29% na comparação com o mesmo período de 1998. Ao
mesmo tempo, as 4 grandes emissoras de TV aberta faturaram cerca de
US$ 16,2 bilhões na primeira metade de 1999, praticamente o mesmo
faturamento de 1998. Entre 2000 e 2001, a TV a cabo foi o único meio
de comunicação que teve crescimento nas receitas de publicidade. O
faturamento foi de US$ 10,4 bilhões, 1% superior ao de 2000,
resultado significativo se for observada a queda de 9,8% obtida pelo
mercado publicitário como um todo.
Os investimentos da indústria em tecnologia e
infra-estrutura superaram a casa dos 10 bilhões de dólares, na
década de 90.
O crescimento da indústria foi acelerado por
uma onda de fusões e aquisições de empresas do setor. O investimento
em novas tecnologias e inovação foi possível graças à sinergia de
empresas.
Com o intuito de se adequar a programação a
nichos de audiência específicos, o número de redes de televisão a
cabo explodiu na última década. No final de 1995, existiam 139
programadoras nacionais, além de muitas outras regionais. No final
de 1996 este número já havia aumentado para 162. Hoje em dia, a TV
por assinatura está disponível em 97% dos domicílios (home passed)
dos Estados Unidos. Cerca de 69,9% dos domicílios (mais de 72
milhões) escolheram assinar o serviço.
(Fontes: Cablecenter.org, Abta.com.br)
|